Congresso Mundial na Nova Zelandia - 2000
(World Devon Cattle Breeders Conference New Zealand)

A representação brasileira no Congresso Mundial ocorrido na Nova Zelândia, foi composta pelos congressistas Almor Paulo Antoniolli, Ana Gilda, Paula e Cláudia Antoniolli, Roberto e Anna Luiza Quinto di Camelli, Cláudio e Míriam Ribeiro, Andréa Verissimo Fonseca, Gilson Hoffmann, Carmen Maria e Maria Luiza Jardim, Haroldo e Donila Brum e João Vieira de Macedo Neto.

Claúdio Ribeiro apresentou o trabalho brasileiro no dia das Conferências e, concluiu qua a raça esta em um momento bastante favorável e, com um futuro promissor. O atingimento de criações da raça em 14 estados brasileiros é a comprovação.
Tentando passar algumas considerações sobre o Congresso Mundial, Claúdio Ribeiro, nos forneceu alguns dados que apresentamos a seguir resumidamente;

Assuntos tratados
- Criação do banco de sêmen da raça Devon;
- Apresentação pelos australianos do programa "Beef Plan", sistema de avaliação similar ao PROMEBO. Deverá ser implementada uma avaliação mundial da raça e para tanto haverá cruzamento de dadosara definir-se qual programa será oficializado.
- Possibilidade de, dentro de 2 anos, o Brasil exportar sêmen e reprodutores, quando tivermos o reconhecimento de zona livre de Aftosa.
- Troca de informação, via Internet, de endereços eletrônicos (e-mails), tanto que para isto, solicitamos a todos que possuam e-mails, nos informem, para que possamos fazer um intercâmbio.

Informações adicionais
Surpresa dos visitantes quanto a qualidade do gado deste país. O peso referência para o desmame é de 300 quilos aos 8 meses.
A produção de leite destina 95% da produção para a exportação.
A produção leiteira é de 4.500 a 5.000 kg por vaca ou 850 kg/ hectare e, o modelo médio da criação, são dois homens para cada lote de 220 vacas em 87 hectares. Os neozelandeses esperam para os próximos anos reduzir o número de 14.500 para 8.000 propriedades, a fim de aumentar o número de animais por criador e, com isso manter a eficiência da atividade.
As plantas industriais foram reduzidas para 9 unidades, efeito da globalização.

Ovinocultura - Um homem, com um cachorro, cuida de 2000 ovelhas. Os cordeiros são invernados com uma variedade de tubérculos (tipo nabo) e não são descolados e nem castrados.
Outras explorações - A criação de cervos, veados, avestruzes, alpacas, todos com destino comercial, visando a exportação.

Os Neozelandeses utilizam a cerca elétrica intensamente e, exploram também madeiras e frutas.

Visita a Australia
O Presidente da Associação de Devon Australiana, Graeme Barnes, proporcionou um giro naquele país e o acompanharam Almor Antoniolli, Cláudio Ribeiro e João Vieira de Macedo Neto.

Laurie Farmers - Propriedade impressionante, situada entre montanhas e vales. Excelente plantel Devon. Destaque para dois touros. Os Wood vendem terneiros de 12 a 14 meses com 200 kg de carcaça e tem sua produção contratada para supermercados.

Gunedad - Vale entre montanhas, com 150 km de comprimento por 50 km de largura. A parte montanhosa é uma região vulcânica. O solo é aluvial argiloso, o pH varia entre 8 e 9. A adubação usada é somente nitrogênio líquido. O valor da terra é de 3000 dólares o hectare. Praticamente inexistem transações. Hoje é permitida a utilização de água para uso humano e dos animais. Aquela que utilizar na agricultura paga um valor muito alto.

O rotação de culturas, nesta região obedece a seguinte orientação;
1/3 da área com culturas de inverno (trigo - 5 a 8 t/ hect.)
1/3 da área com culturas de verão (sorgo, algodão, girassol)
1/3 da área fica em descanso, acumulando água da chuva.
Caso a propriedade não tenha agricultura nos últimos 10 anos, perde o direito de ser plantada.

Criação de Devon na Região Central

Peter Knight, com o auxílio de um único cachorro cuida de 100 cabeças de gado em 3000 hectares de fazenda com bastante mato. Possui gado mocho de muito boa qualidade.
A fazenda de Graeme Barnes com 834 hectares, foi considerado o melhor gado Devon visto na Australia. Possui 30 touros de 15 a 21 meses, com 600 a 700 kg respectivamente. O touro Carlisle R104 foi considerado o melhor da Australia.
A propriedade vende novilhos de 20 meses, com 260 kg de carcaça ao preço de U$ 2,60/ kg para supermercados. Outros novilhos são engordados em confinamentos, sendo vendidos aos Estados Unidos com 70 dias de confinamento e com 360 kg de carcaça aos 24 meses e, com 10 mm de gordura de cobertura.
Para o Japão são vendidos com 365 dias de confinamento, com 400 a 500 kg de carcaça aos 36 meses de idade, com 40 a 50 mm de gordura na 8ª costela.
Os confinamentos de 20.000 animais em média, possuem frigoríficos e a carne já sai em containers direto para exportação e, não aceitam animais com mais de 1/4 de sangue de raças continentais.
O custo do confinamento é de U$ 500,00 por animal.

Conclusões Australianas

Não podem trabalhar com empregados pelo elevado custo; U$ 400/ semana e pelo elevado custo de produção e se preocupam em não baixar a qualidade de seus produtos.

Conclusões dos Brasileiros

São gente muito trabalhadora e capaz, ligados ao mundo pela informática (Internet), dominam o uso do solo, conservação e bom uso da pouca água e, o sucesso da visita dos brasileiros deve-se ao programa elaborado pelo Presidente Graeme Barnes e, para os criadores de Devon do Brasil, foi encontrado mais de 8 touros que poderão ser melhoradores de nossos rebanhos.

 
 
 
 


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